Resumo histórico da Fortaleza de Santa Teresa
Um processo longo e complexo que envolveu decretos, revoluções, comissões honorárias e a nomeação de figuras como Horacio Arredondo.
Graças à vontade política de diversos presidentes e aos esforços de militares, arquitetos e historiadores, a fortaleza deixou de ser uma estrutura abandonada e ameaçada pelas dunas de areia para se tornar um símbolo da memória nacional.
A Fortaleza de Santa Teresa foi declarada Monumento Histórico Nacional pela Lei nº 8.172, em 26 de dezembro de 1927, marcando um ponto de virada em sua preservação.
Quase um século depois, o próprio Parque Nacional Santa Teresa foi declarado Monumento Histórico Nacional pela Resolução nº 298/024 do Ministério da Educação e Cultura (MEC), publicada em novembro de 2024.
Essa designação protege não apenas a fortaleza, mas também a paisagem cultural mais ampla, incluindo edifícios históricos, sítios arqueológicos, vegetação nativa e o ambiente costeiro, reforçando a importância do parque como um patrimônio único no Uruguai.
Localizada em Rocha, Uruguai, a Fortaleza de Santa Teresa se destaca hoje como um dos marcos históricos mais importantes do país, unindo a história militar ao patrimônio natural.
- Implantada a 40 m acima do nível do mar, a 900 m do km 303 da Ruta 9 (antigo Caminho da Angostura).
- Entre Punta del Diablo e La Coronilla, no departamento de Rocha.
- A 2 km do Oceano Atlântico e a 5 km da Laguna Negra.
- Faz parte do Parque Nacional Santa Teresa, criado para protegê-la.
- Declarada Monumento Histórico Nacional em 1927, depende do Departamento de Estudos Históricos do Estado-Maior do Exército.
- 1762 – Primeira obra portuguesa: Coronel Tomás Luis Osorio, planos de João Gómez de Mello. Trincheira e cerco de troncos em Castillo Chico.
- 1763 – Segunda fortificação espanhola: Pedro de Cevallos toma Santa Teresa e San Miguel. O engenheiro Francisco Rodríguez Cardozo projeta uma nova obra.
- 1765–1775 – Fortaleza definitiva: Engenheiro francês Bartolomé Howel. Pentágono irregular com cinco baluartes, perímetro de 642 m.
- 1777 – Tratado de San Ildefonso: ratifica a posse espanhola de Santa Teresa e San Miguel.
- 1811: ocupada por patriotas, depois invadida por portugueses. Primeiro elo do Êxodo Oriental.
- 1825–1828: ações do coronel Leonardo Olivera contra os imperiais brasileiros.
- 1830–1843: atalaia na fronteira durante as presidências de Rivera e Oribe.
- 1895: convertida em presídio.
- Final do século: abandono, saque de pedras e avanço das dunas.
- Presidente da República Oriental do Uruguai Julio Herrera y Obes (1892): primeiro decreto de reconstrução.
- Presidente da República Oriental do Uruguai Juan Idiarte Borda (1895): ratifica o decreto; a revolução destrói parte da obra.
- Presidente da República Oriental do Uruguai Baltasar Brum (1919–1923): Horacio Arredondo impulsiona a restauração; cria-se a primeira Comissão Honorária.
- Presidente da República Oriental do Uruguai José Serrato (1923–1927): dificuldades na primeira Comissão.
- Presidente da República Oriental do Uruguai Juan Campisteguy (1927): Monumento Nacional, segunda Comissão e criação do Parque.
- Presidente da República Oriental do Uruguai Gabriel Terra (1931–1938): relatórios e trabalhos de restauração em muros, quadra, paiol, capela e praça de armas.
- Presidente da República Oriental do Uruguai Alfredo Baldomir (1938–1942): conclui a restauração e consolida o Parque de Santa Teresa.
- Pentágono irregular com cinco bastiões salientes.
- Muros de granito de até 11,5 m de altura e 4 m de espessura.
- 41 tronheiras para canhões e 5 guaritas.
- Porta principal a Oeste e porta de socorro a Este.
- Capacidade para 300 homens.
- Construções coloniais restauradas: quarto das bandeiras, corpo da guarda, capela, quadras, paiol e calabouços.
- Salas temáticas: Comandância, Paiol, Capela, Restauração, Ferraria, Cozinha, Enfermaria, Quadras.
- Camposanto e povoado de Santa Teresa, com até 128 habitantes na época colonial.
- Forte de San Miguel (1737): planta quadrada com quatro baluartes, menos resistente que Santa Teresa. Declarado Monumento Nacional em 1937.
- Fortaleza do Cerro (1809): protege a baía de Montevidéu e o farol. Declarada Monumento Nacional em 1931, leva o nome de Artigas desde 1882.
- Juntas, as três fortificações formam o sistema defensivo colonial da Banda Oriental.
A restauração da Fortaleza de Santa Teresa, empreendida entre 1892 e 1942, foi um processo longo e complexo que atravessou decretos, revoluções, comissões honorárias e a tenacidade de figuras como Horacio Arredondo.
Graças à vontade política de vários presidentes e ao esforço de militares, arquitetos e historiadores, a fortaleza deixou de ser um monumento abandonado e ameaçado pelas dunas para tornar-se símbolo da memória nacional.
A declaração como Monumento Histórico Nacional em 1927 e a criação do Parque de Santa Teresa, também declarado Monumento Histórico Nacional em 2025, marcaram um ponto de inflexão: desde então, a fortaleza não apenas se conserva como testemunho do passado colonial, mas integra-se a um ambiente natural protegido, aberto à comunidade e ao visitante.
Hoje, a Fortaleza de Santa Teresa é um espaço vivo, onde história e natureza dialogam, lembrando-nos que preservar o patrimônio é também uma forma de projetar identidade e futuro.